A Mestria


Olá, cá estou eu novamente, Isabel Negrão

Depois do meu desabafo anterior, venho aqui falar-te de…. Mestria.
E começo por transcrever um pequeno poema, muito revelador, de W.H. Auden (Wystan Hugh Auden):
“Não é preciso vermos o que uma pessoa está a fazerpara sabermos se é a vocação dela,basta olhar para os seus olhos:um cozinheiro a mexer o molho, um cirurgiãoa fazer uma incisão,um funcionário da alfândega a preencher um registo,têm a mesma expressão enlevada, esquecidosnuma função.Como é beloesse olhar de olhos nas coisas.”
“O contrário de autonomia é o controle”, diz Daniel H. Pink, no seu livro “Drive – A surpreendente verdade sobre aquilo que nos motiva”. 
Na verdade, são pólos opostos do comportamento humano. O controle exige obediência, concordância, ao invés da autonomia, que pressupõe empenho intrínseco e determinado.O objetivo do controle é levar as pessoas a concordarem com uma determinada maneira de fazer as coisas, isto é, levá-las a cumprir e a obedecer. E para isso, os métodos utilizados, normalmente, são a recompensa e o castigo. Na verdade, este tipo de método tem sido a base da economia e da produtividade (ou da falta dela)até ao séc. XX, embora, como caminho para a realização pessoal, esta técnica nunca tenha obtido grandes resultados. Sobretudo quando se trata de arranjar soluções para questões complexas, é necessário ser criativo, ter uma mente curiosa e vontade de inovar. Para isso, faz falta empenho, que nasce, não no medo da punição, ou no desejo da recompensa, mas sim na confiança nas próprias capacidades e na vontade de saber e de criar. Tive mesmo ocasião de verificar este fato nos meus próprios alunos, na escola; a maioria não sentia empenho no seu trabalho escolar e mostrava-se desmotivada. E os que obtinham resultados de excelência, eram invariavelmente aqueles que se empenhavam criativamente e de forma autónoma, demonstrando um interesse genuíno em evoluir e uma confiança intrínseca nas próprias capacidades.
Um aspeto importante do empenho é ser uma força poderosa na realização pessoal individual. Apesar da obediência ao controle ser vista como algo necessário à sobrevivência, não funciona, como caminho para a realização pessoal. Normalmente, onde há excesso de concordância, há falta de empenho. Quando se potencia a criatividade e a autonomia, o empenho verdadeiro e a produtividade são o resultado óbvio e a atividade é a sua própria recompensa. O desafio é dar o melhor de si. O verdadeiro sucesso tem uma componente de concentração e satisfação, que transforma o esforço numa recompensa e as tarefas tornam-se fluidas. 
Como disse Teresa Amabile, professora na Universidade de Harvard, “o desejo de fazer uma coisa porque se considera essa coisa  profundamente satisfatória e pessoalmente desafiadora, é o que inspira os níveis mais altos de criatividade, quer nas artes, quer nas ciências ou nos negócios.”
Tudo isto me leva a concluir que, o desejo de desafio intelectual, de dominar algo novo leva a maiores e melhores realizações. Tal como eu própria costumo dizer (é até uma frase que aparece nos meus catálogos das exposições) ” a arte é uma forma de viver; e nesse caminho, não há, no fundo do túnel, luz alguma que ilumine… apenas há algo que aquece enquanto se caminha”.
Este é o caminho para a Mestria.
No entanto, a Mestria não acontece de um dia para o outro. A Mestria é sobretudo uma forma de pensar, não é algo que se demonstra, mas sim algo que se desenvolve. O objetivo é aprender e não apenas provar que se é inteligente, da mesma forma que se é alto ou baixo, gordo ou magro. A verdadeira inteligência não é estática e reconhece em cada aprendizagem uma oportunidade de crescimento, A Mestria também é sofrimento, pressupõe a capacidade de trabalhar empenhadamente, sem mudar de objetivos, apesar das dificuldades. 
Mas, como diz Daniel H.Pink, “esse não é o problema, é a solução”. O esforço dá sentido à vida e valoriza as nossas conquistas.
Por isso, a Mestria é algo que podemos perseguir, de que nos podemos aproximar, sem no entanto a alcançarmos. Porque a Mestria não é uma meta, é um caminho,onde a alegria está mais no esforço do que na realização.
Mas já vai longo este artigo. Tudo isto para vos dizer que eu preciso disso para mim. Preciso da satisfação de um desafio; preciso do “sofrimento” inerente ao crescimento. Preciso, como mais uma vez comenta Daniel H. Pink em “Drive”, da experiência das crianças que “usam os cérebros e os corpos para experimentar e obter respostas do ambiente, numa procura sem fim de Mestria”.
Por isso a minha necessidade de mudança. Não tenho medo de ser infantil. Preciso disso para sobreviver. 
Por isso troquei, como dizem por aí, o “certo” pelo “duvidoso”….
Um Abraço,

Isabel Negrão

Author: Isabel Negrao

Mãe de família, Artista plástica, Professora, Blogger, Terapeuta. Adoro o que faço . Foco: desenvolvimento pessoal, autoconsciência, vida plena e abundante. Meus pontos fortes: conteúdo, comunicação. Paixão: ajudar pessoas a resolver problemas. Segue-me ou torna-te meu amigo no Facebook. (Thank you for reading my posts! If you would like to connect, reach out to me on Facebook).

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