O meu problema com a autoridade

O meu problema com a autoridade

Pessoal,hoje caiu-me uma ficha!

Passo a explicar:

No âmbito deste meu novo projecto profissional, é suposto cumprir um plano de estudos e de aprendizagem, que inclui empenho no seguimento dos cursos e no cumprimento de instruções, para a realização de uma prática disciplinada.

Esta prática disciplinada leva, naturalmente, à aquisição de competências que, uma vez automatizadas, se reflectem num trabalho produtivo e na obtenção de resultados com um mínimo de esforço.

Isto para vos dizer o quê?

É que eu apercebi-me que tenho dificuldades em aceitar a disciplina quando me é “imposta”, mesmo quando o objectivo é conseguir o melhor resultado possível para mim.

Eu tenho um professor/mentor genial, o Rui Gabriel, que é quem neste momento administra os cursos que estou a fazer. O Rui é super disciplinado, empenhado e produtivo. Os seus resultados práticos atestam enormemente a sua competência. E ele colocou toda a sua sabedoria à disposição dos seus alunos (eu incluída). Apenas colocou, como única condição, que fôssemos, se não tão disciplinados como ele, pelo menos que o fôssemos o suficiente para observarmos um plano de trabalho por ele elaborado e que teria de ser cumprido à risca.

Ora, é aqui que a minha questão surge. O fato de ter de cumprir à risca, de ter de observar prazos estipulados por outrem (o trabalho tinha de ser realizado todos os dias, impreterivelmente até à meia-noite…) mexeu com a minha dificuldade em aceitar a autoridade de terceiros. Embora eu tenha obedecido às regras e efectuado as minhas tarefas, pude observar em mim mesma uma enorme resistência. Dei-me conta que, muitas vezes, empatava o dia inteiro e deixava tudo para a última hora, acabando por realizar as tarefas a contragosto e sob stress.

Gente, se isto não é auto boicote, não sei que outra coisa lhe possa chamar…

É certo que agora, que esse plano de trabalho foi concluído e já não tenho que cumprir prazos, me sinto muito mais solta, produtiva, criativa e eficaz. Mas o Rui também tinha razão. O que aprendi com ele e com o resto do grupo ajudou-me a automatizar uma série de procedimentos que agora me saem sem esforço. Para além disso, acabei por tomar consciência de uma questão minha, que tem condicionado a minha vida sem que eu me apercebesse: trata-se do fato de confundir “autoridade” com “poder”.

E descobri o seguinte:

Por ter sido, na infância e na adolescência, “vítima” do poder controlador de alguém (que só fez o melhor que sabia, note-se…), na minha fuga a esse controle, acabei por me tornar eu própria numa pessoa controladora, sempre atenta a não me deixar dominar, usando todo o tipo de estratégias para ser eu a ter poder (ilusório, claro…) sobre os outros e sobre as situações (por exemplo, fazendo tudo para agradar, para ser aceite, não como eu era, mas como eu achava que os outros queriam que eu fosse, numa tentativa (vã) de me sentir segura e amada, tentando controlar e cobrar os sentimentos e atitudes dos outros para comigo… pura ilusão, afinal,  perda de tempo e de energia… )

Enfim… eis as conclusões a que cheguei:

  1. A autoridade é sabedoria, conhecimento e auto consciência; é relaxada e auto referente; impõe-se por si mesma, só por estar presente, não precisa de ser validada e independe da opinião de terceiros; não se impõe aos outros, é oferecida, é uma dádiva.
  2. O poder controlador nasce do medo, da insegurança inconfessada, da crença de não merecimento e da falta de auto estima; é inconsciente e inconsequente, é reactivo e gerador de conflitos em todo o tipo de relacionamentos (produz jogos de poder que destroem as relações); é auto boicotador e castrador dos outros.
  3. O poder pessoal é a capacidade de gerir a própria vida com sabedoria e responsabilidade (habilidade para dar resposta); isto é, o poder pessoal é o poder sobre si mesmo, não sobre os outros, vem da noção consciente de si mesmo, das próprias capacidades e do conhecimento da própria alma; o poder pessoal é relaxado, não precisa de ser provado ou aprovado, é desprendido e renuncia ao controle sobre os outros. O poder pessoal cultiva-se, não pode ser roubado ou imposto a ninguém.

E, naturalmente, o poder pessoal transmite… autoridade…

E a autoridade é o que é e dá-se como é… a quem quiser ou souber aproveitá-la…

A autoridade não comanda nem controla; a autoridade guia, ilumina caminhos…

Obrigada, Rui Gabriel! O teu plano de trabalho teve para mim, várias benesses:

  1. Adquiri e automatizei as competências necessárias à prática de um trabalho frutífero;
  2. Descobri que também eu consigo ser disciplinada sem perder a criatividade, pelo contrário, potenciando-a;
  3. Aprendi a reconhecer a autoridade e o poder pessoal de outrem, não como uma ameaça, mas como uma dádiva preciosa, potenciadora de crescimento e da minha própria autoridade e como um exemplo a seguir de como cultivar o meu próprio poder pessoal;
  4. Aprendi a relaxar, a renunciar ao controle e ao medo da opinião dos outros sobre mim (o meu eterno síndrome de performance…); tudo isto resultou num muito maior prazer na realização de todo o trabalho necessário à aprendizagem e numa maior convicção no desenvolvimento do projecto de vida que escolhi para mim.

Mais uma vez reconheço a tua autoridade, Rui Gabriel… és um Grande Mestre!

Muito, muito grata, Isabel Negrão

Uma dica: pessoal, prestem muita atenção às vossas emoções; quando estou atenta às minhas, são sempre muito reveladoras!

Isto é mesmo um curso de desenvolvimento pessoal disfarçado de negócio…  😉

Author: Isabel Negrao

Mãe de família, Artista plástica, Professora, Blogger, Terapeuta. Adoro o que faço . Foco: desenvolvimento pessoal, autoconsciência, vida plena e abundante. Meus pontos fortes: conteúdo, comunicação. Paixão: ajudar pessoas a resolver problemas. Segue-me ou torna-te meu amigo no Facebook. (Thank you for reading my posts! If you would like to connect, reach out to me on Facebook).

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